Pele

A pele forma a superfície externa contínua ou tegumento do corpo, sendo o maior órgão, constituindo quase um sexto do seu peso total (1,75m²). É representada pele epiderme com o seu manto córneo, a qual se assenta sobre um tecido de sustentação fibrilar, a derme, que repousa por sua vez sobre o panículo célulo-adiposo da hipoderme. Possui as seguintes funções principais:

Proteção contra lesões mecânicas, químicas e térmicas;
Termo-regulação: a pele impede o corpo de perder calor;
Impermeabilidade à água e impede que ela também saia (Conservação de fluídos);
Barreira a organismos patogênicos – barreira física;
Detecção de estímulos sensoriais;
Apesar dessas variações que refletem diferentes demandas funcionais, todos os tipos de pele possuem a mesma estrutura básica. A pele espessa cobre a palma da mão e a planta dos pés, possui glândulas sudoríparas, mas não possuem folículos pilosos (Pele glabra), músculos eretores do pêlo e glândulas sebáceas. A pele delgada cobre a maior parte do resto do corpo e contém folículos pilosos, músculos eretores do pêlo, glândulas sudoríparas e glândulas sebáceas (Pele pilificada).

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FLORA CUTÂNEA

A pele é preenchida em toda sua superfície por diversos tipos e microorganismos (fungos ou bactérias), constituindo a flora cutânea. Ela é formada:

Por uma flora chamada residente ou permanente, compostos por germes saprófitos, normalmente não patogênicos, mas podendo tornar-se devido a certas condições.
Por uma flora transitória ou patogênica, resultantes da contaminação diária. Os microorganismos que a compõem são hóspedes acidentais da pele, cuja sobrevivência sobre o território cutâneo é fraca e temporária.
A competição entre os microorganismos resistentes e os transitórios permite uma proteção relativa contra estes últimos. É, portanto primordial conservar a flora cutânea resistente em bom estado, garantindo maior proteção contra a inoculação de microorganismos patógenos.

EPIDERME

A epiderme é a camada mais externa do corpo e está em contato direto com o meio externo. É um epitélio queratinizado estratificado pavimentoso composto principalmente de queratinócitos, as células epiteliais especializadas responsáveis pela renovação, coesão e barreira da epiderme.

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A figura abaixo mostra que esta camada externa da pele é subdividida em cinco camadas (de dentro para fora). Estas camadas são formadas pela diferenciação seqüencial de células migrando da camada basal para a superfície. A epiderme se renova a cada 20 a 30 dias dependendo da região da pele. A epiderme é composta por 4 tipos celulares: Queratinócitos, Melanócitos, Células de Merkel, Células de Langerhans.

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A camada basal (stratum basale) ou camada germinativa é a mais profunda da epiderme e fica repousada sobre a derme. É a camada com a maior atividade mitótica, pois contêm células-fonte da epiderme, onde há constante renovação celular
A camada espinosa (stratum spinosum), nome este dado às suas características poligonais cubóides. É importante por conferir à epiderme coesão nas células e resistência ao atrito.
A camada granulosa (stratum granulosum). As células possuem grânulos que são expulsos para o meio extracelular, e que confere à epiderme impermeabilidade à água e a outras moléculas.
A camada lúcida (stratum lucidum). É pouco representativa, onde representa uma transição entre a camada granulosa e a camada córnea.
A camada córnea (stratum corneum), tem espessura muito variável e é constituída por células achatadas, mortas e sem núcleo. O citoplasma destas células apresenta-se repleto de uma escleroproteína dura chamada de QUERATINA, rica em ligações dissulfeto (S-S), que confere força e integridade.

Esta camada fornece 98% de habilidade de retenção de água da epiderme. A membrana plasmática se torna grossa devido à deposição e ligação cruzada de proteínas, como a involucrina, ao longo da superfície interna para formar o envelope córneo. O stratum lucidum é parte desta camada.

Outros integrantes da epiderme são as células de Langerhans apresentadoras de antígeno, os linfócitos T epidérmicos, ambos derivados da medula óssea; os melanócitos formadores de pigmentos e as células de Merkel neuroepiteliais, queratinócitos modificados que possuem queratinas e formam ligações desmossomais de queratinócitos.

APÊNDICES EPIDÉRMICOS

1. Glândulas Sebáceas
2. Glândulas sudoríparas apócrinas
3. Glândulas sudoríparas écrinas
4. Pêlo
5. Unha

GLÂNDULAS SEBÁCEAS

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As glândulas sebáceas são anexas dos folículos capilares e estão inseridas na derme e hipoderme. São predominantes sobre toda superfície do corpo, com exceção da palma das mãos, planta dos pés e lábio inferior.

Progressivamente as células se carregam de gotículas lipídicas e tornam-se cada vez mais volumosas. Depois da lipidização completa, as células se desintegram totalmente, tornando-se, elas mesmas, o produto da secreção ou sebo.

As células mortas são repostas por mitose na periferia da glândula. A secreção é o sebo, uma mistura de triglicérides e colesterol tipo cera. Funciona como um agente protetor e mantém a textura da pele e a flexibilidade do cabelo.

1. O tamanho da glândula é inversamente proporcional ao pêlo ao qual está anexado: ou seja, uma pele com pêlos curtos são mais propensos à acne.
2. Sua quantidade determina o tipo de pele.
3. A quantidade de sebo que é secretado é da ordem de 1 a 2g por dia.

GLÂNDULAS SUDORÍPARAS

As glândulas sudoríparas distinguem-se em dois tipos: as écrinas e as apócrinas.

As glândulas sudoríparas écrinas são glândulas tubulares em espiral, estão na camada profunda da derme ou sobre a hipoderme e estão presentes em todo o corpo. A sua função primária é o resfriamento por evaporação (transpiração).

A secreção écrina consiste de um líquido aquoso, fino e inodoro, onde a ação microbiana não consegue degradar. São controladas por fibras colinérgicas do Sistema nervoso autônomo pelo estímulo térmico e fatores psicogênicos.

Cosmetologia Elas secretam o suor de maneira intermitente.
2. O suor é um liquido aquoso, incolor, ácido, que contêm 99% de água, de NaCl, de amoníaco, de ácido lático, de ácido uricânio e de aminoácidos livres.
3. Respondem a estímulos físicos (temperatura, exercícios), e a estímulos psíquicos (emoções – palma das mãos e planta dos pés).

As glândulas sudoríparas apócrinas são glândulas tubulares que desembocam nos folículos pilosos nas axilas e regiões urogenitais. A secreção é uma mistura de proteínas, carboidratos e íons férricos que não possui odor, porém torna-se fétida após ação de bactérias comensais da pele.

São mais numerosas nas mulheres e na raça negra. São sensíveis aos hormônios androgênicos e reguladas por nervos adrenérgicos em resposta ao atrito, agentes farmacológicos e fatores emocionais.

DERME

A derme, localizada imediatamente sob a epiderme, é um tecido conjuntivo que contém fibras protéicas, vasos sangüíneos, terminações nervosas, órgãos sensoriais e glândulas. As principais células da derme são os fibroblastos, responsáveis pela produção de fibras e de uma substância gelatinosa, a substância amorfa, na qual os elementos dérmicos estão mergulhados.

A epiderme penetra na derme e origina os folículos pilosos, glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas.

Na derme encontramos ainda: músculo eretor de pêlo, fibras elásticas (elasticidade), fibras colágenas (resistência), vasos sangúíneos e nervos.

A derme é o elemento de sustentação e nutrição da epiderme e seus anexos. Contém entre 20% a 40% de água total do corpo graças, em parte, às propriedades hidrofílicas. A sua espessura aumenta no decorrer da infância e da adolescência, para estacionar e diminuir depois dos 50 anos.

Outros componentes da DERME

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a. Substância Fundamental: Responsável pelo volume da derme. Substância semelhante a gel em íntima relação com os componentes fibrosos, é a substância de preenchimento.

b. Vasos Sanguíneos Cutâneos: Plexo vascular profundo: na interface entre derme e gordura subcutânea. Plexo vascular superficial: nas porções superficiais da derme reticular.

c. Nervos Cutâneos: A pele recebe sistema eferente (controle vascular cutâneo) e sistema aferente (apreciação das sensações cutâneas).

d. Células Fibroblastos: São produtores de colágeno e elastina;

e. Células Migratórias de Defesa: Linfócitos e mastócitos;

f. Matriz Extracelular: Rede complexa de macromoleculares (é o conjunto de tudo).

HIPODERME

É um tecido subcutâneo que une a derme aos órgãos profundos. É formado por tecido conjuntivo adiposo de espessura muito variável conforme sua localização. A hipoderme tem as seguintes funções:

Reserva de gorduras: gorduras provenientes do fígado e do intestino chegam ao adipócito pela corrente sanguínea sob a forma de ácidos graxos e de triglicerídeos.
Energética: em caso de necessidade a lipólise libera rapidamente os ácidos graxos;
Termorregulação: regula a temperatura corporal;
Mecânica: amortecimento, sobretudo no nível dos órgãos internos.

TIPOS DE PELE

1. Pele normal ou eudérmica – pele ideal ou de criança, secreções equilibradas, emulsão epicutânea perfeita (tipo O/A).

2. Pele oleosa – espessura aumentada e bem hidratada, produção de sebo alterada (pH ácido), emulsão tipo A/O, aspecto oleoso (untuoso, com brilho acentuado), pele resistente a problemas alérgicos. Complicações comuns como seborréia, acne e desidratação.

3. Pele seca – secreção sebácea insuficiente, pessoas de pele muito clara, fina e sensível, frágil e facilmente irritável, rugas finas e precoces.

4. Pele mista – óstios dilatados na região do T, secura e irritação nas outras áreas.

MELANINA – CÉLULAS DE PIGMENTO

A melanina é um pigmento que determina a cor da pele, filtram os raios UV (protege o núcleo celular, agrupando-se em torno dele), neutralizam os radicais livres (que são fatores de envelhecimento celular).

As melaninas são produzidas por células especializadas da camada basal germinativa: os melanócitos, que repousam sobre a camada basal. Seus dedritos se desenvolvem lateralmente e para cima, o que permite entrar em contato com os queratinócitos vizinhos. No pêlo os melanócitos se localizam no bulbo pilar. Depois dos 40 anos, o número de melanócitos diminui, assim como sua atividade de síntese.

O melanócito, a partir do aparelho de golgi, sintetiza o melanossomo, organela complexa que contém melanina. O melanossomo possa por 4 estágios de maturação graças a uma enzima, a tirosinase: é a melanização do melanossomo.

Os pigmentos melânicos podem ser classificados em dois grupos:

Eumelanina: são os mais escuros (castanhos ou marrons). Encontram-se na epiderme, nos cabelos e nos pêlos;
Feomelanina: são pigmentos mais claros (castanhos a louro, inclusive ruivos).

GRAU DE ACIDEZ DA PELE

Para que seja sadia é essencial haver equilíbrio ácido-base. No estado normal, a superfície da pele tem sempre reação ácida, devido à presença de ácido orgânica (propiônico, acético, caprílico, lático, cítrico, ascórbico) que se encontra em alta concentração devido a evaporação do suor que os contém.

O grau de acidez varia com idade, sexo e de indivíduo para indivíduo. A reação torna-se alcalina à medida que se penetra nos tecidos. O manto ácido é importante em relação aos agentes exteriores, barreira à penetração dos microorganismos e fungos, que toleram mal a acidez.

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